Sei lá, agora ando numa fase Sting. Queria postar “La belle dame sans regrets”, a minha preferida dele, mas as versões do youtube para essa canção são muito bregas. Pena. A letra é linda, fala de “uma mulher sem arrependimentos”. Será possível?! Na procura, dei com “Shape of my heart”. Pra inspirar o começo da semana…
Ontem, domingo, foi um dia mágico. 31 de janeiro. Último dia de um mês intenso. Passei a tarde em alto mar. De repente me dei conta que há muito tempo não via um pôr do sol. Daqueles clássicos, em tons de vermelho e rosa. O dia estava lindo e achei que ia acontecer. Fim de tarde e nada. As montanhas da baía de Paraty estenderam seu manto negro, e o sol se foi discretamente, deixando um leve rastro rosé. Lindo também. Só que eu havia me esquecido que era noite de lua cheia. E o meu desejo se realizou ao contrário. Escureceu. De repente uma bola de fogo despontou atrás das nuvens noturnas. O mar estava calmo e morno. Mergulhei. A cada movimento, meu corpo era envolvido por plânctons. Vestida de mar, e revestida por milhares de pontinhos brilhantes, eu me senti uma sereia. A lua gigante, ora se escondia, ora subia mais. Até brilhar inteira, emprestando seu reflexo prateado, iluminando o mar, o barco, o vulto amado das pessoas que dividiam comigo aquele momento único. Eu só queria um por do sol, e ganhei um céu estrelado e uma lua inteira, nascendo da maneira mais fantástica. Lembrei de algo que li durante a semana: “Se a vida não dá o que você quer, é porque você ainda não merece, ou não precisa daquilo que pediu”. Ou existem outras supresas inesperadas, que você jamais imaginou… Assim terminou meu janeiro. Hoje acordei renovada, e a primeira música que ouvi foi “Anos Dourados”, na voz da Gal. Ela fala em “insanos dezembros”. Eu mudaria para “insanos janeiros”. O meu foi de muita chuva, muito sol, muita ansiedade, muito encanto e desencanto, muito tudo. Um janeiro dourado. Enfim, fevereiro. Com seus dias mais curtos. Amanhã é dia de Iemanjá. Que se abram os caminhos… E o seu janeiro, valeu a pena?
Sexta à noite. Quatro amigas. Uma garrafa de vodka. Um bar dedicado aos martinis. Meu drink preferido. Chegamos animadas ao Subastor, o “bar-sensaçao” (como definia a revista), recém-inaugurado no porão chic do Astor, na Vila Madalena. “Está lotado, não adianta nem descer”, avisou o porteiro, na chegada. Mas a hostess, escolada, claro, não barra mulheres bonitas (modéstia totalmente à parte). Balcão de mármore branco, estofados vermelhos, cortinas de veludo. Espera no balcão. Um garçom para chamar de nosso, logo “vende” a garrafa de vodka. Se um martini custa R$ 31 (uau!), e a garrafa R$ 200, vamos de garrafa de vodka importada nada famosa. Nem lembro o nome. O importante, no contexto, é que ela renderia vários martinis.
Maçã verde com pimenta, lichia, morango, tudo em taças gigantes. A vida é doce no Subastor. Os drinks, diabolicamente preparados, parecem inofensivos, nas taças enfeitadas com frutas. Uma amiga queridíssima (que não está podendo beber) aparece para animar ainda mais a noite, e até o suquinho de melancia dela surge na taça maravilhosa. Um garçom chamado Djavan dá o savoir fair. O lugar, aos poucos, soa meio “mauricinho”, mas tudo bem. A música é boa. As pessoas são bonitas e o papo está ótimo. Três amigas resolvem que uma garrafa de vodka é pouco e a coisa começa a desandar. Muitas idas ao toalette. O mundo roda. As duas mais velhas –eu incluída –são as lúcidas do pedaço. Ter 40 anos de repente parece uma vantagem. Mas o que agrava a situação é que as duas mais novas não estão acostumadas a beber vodka. Pagamos a conta astronômica. Há uma meia-garrafa da tal vodka, agora com o nosso nome, na prateleira do Subastor. Prometemos, à luz do dia seguinte, que voltaremos para matar os martinis que sobraram, mas só como aperitivo, antes de um jantarzinho. Sem dar detalhe. Resumo da ópera: os drinks do Subastor são perigosos, como tudo o que é gostoso. Nada que uma boa dose de água-de-coco não cure no dia seguinte. Nada como ter amigas divertidas. Amigas que bebem unidas permanecem unidas. E o seu último pilequinho, foi bom?
Feliz ano novo! Depois um réveillon divertidíssimo, mas literalmente com o pé na lama –muita chuva em Paraty, meu carro alagou e voltei para casa quase a nado –o sol brilha há uma semana e a vida parece boa. A minha anda embalada por Diana Krall. Tô tirando umas músicas dela ao piano e de repente me apaixonei por “Boulevard of broken dreams”, de Joe Armstrong. Sabe aquelas canções que você ouve mil vezes mas nunca realmente presta atenção? Eu ouvi “com outros olhos”, ou talvez com o coração. A letra é linda e tem a ver o assunto desse blog. Alguém caminhando só, por “uma rua de sonhos partidos”, mas talvez não tão só assim. Ou só, até que outro alguém especial o encontre… A versão é de uma Diana Krall 1996, maquiadérrima, no Festival de Montreal, impecável como sempre. E a trilha sonora do seu começo de 2010, qual é?
Você vive se degladiando com aquele rolinho de filme de PVC, sem conseguir tirar o plástico inteiro? Seus problemas acabaram. A dica mágica veio de uma amiga. Eu, feito louca, descabelada, procurando a ponta do plastiquinho, que sempre rasga todo, para tentar cobrir uma travessa de arroz. Ela: “Guarde o rolinho na geladeira que não acontece mais isso.” Guardei. Nem acreditei. No dia seguinte, puxei a ponta e o plástico saiu inteirinho! O filme resfriado solta fácil. Agora eu conto pra todo mundo, e todo mundo me agradece. E você, tem alguma dica doméstica que “mudou a sua vida”?
Um amigo foi para Cuiabá no feriado da Consciência Negra. Voltou contando maravilhas. Como Cuiabá cresceu! Tem bares e restaurantes incríveis! Ãhn? Cuiabá?! Estou bastante desatualizada sobre a cidade. Entre as passagens exóticas da minha biografia, há o detalhe de eu ter passado parte da infância e adolescência na capital do Mato Grosso. Aprendi a nadar no rio Coxipó. Aos domingos, a gente fazia pique-nique nas cachoeiras, a caminho da Chapada dos Guimarães. Era lindo. Tenho um carinho especial por Cuiabá, embora jamais tenha voltado para lá, desde os 15 anos. Na época, não havia nem um shopping center. Agora são cinco megashoppings, segundo meu amigo. Ele me falou especialmente de um restaurante chamado Getúlio, e do Bar do Azeitona. A muvuca, parece, acontece toda em volta de uma praça point da cidade, a Praça Popular. O Getúlio (na foto acima) é desses lugares multi: bar, chopperia, restaurante, balada etc etc. Ele me contou também do banheiro, que é superengraçado. Diz que no feminino tem um pôster gigante de um homem nu de costas. No masculino, há três fotos de mulheres, em frente ao lugar de fazer xixi. Na primeira, uma moça uma mira exatamente “lá”, abaixando os óculos para ver melhor. A segunda aparece com uma fita métrica. A terceira faz aquele sinal com o indicador e o dedão, como se tivesse medido o material, dizendo: “que pequenininho!”. Cuiabá. Conhece alguém que vai pra lá? Eu fiquei a fim de voltar.
O Rio de Janeiro continua lindo. Andei por lá nas últimas semanas. No calçadão de Ipanema/Leblon, a 40 graus, me sentindo meio Garota de Ipanema, meio Helena de Manoel Carlos. Tenho a fantasia de morar no Rio. Não sei se é ilusão, o fato é que é o Leblon é bom. A Lagoa é linda. Ipanema é incrível. A Barra é bárbara. A Gávea parece genial. A favela existe, o bem e o mal coexistem. O resto é mar. E eu fui bem feliz em três dias na cidade cheia de encantos mil. Vou começar pelos programas clássicos, já que minha queridíssima amiga carioca Valéria, com quem sempre dou umas voltas por lá, adora um boteco tradicional. Foi ela quem me apresentou o Jobi, na Ataulfo de Paiva, uma espécie de filial do Filial (o meu boteco preferido em São Paulo). Choppe no ponto. Muvuca. Garçons de verdade, de gravata, equilibrando bandejas de bolinhos de boteco, carnes-secas-aceboladas, tudo muito frito. Fazer o quê? Quem está no Rio é para se jogar. Da última vez, jantamos deliciosamente no Bar Lagoa, a opção perfeita para aquele dia em que você não quer saber de comida fusion nenhuma, nem molhinho com redução de nada, nem lugarzinho da moda. Tudo o que você quer é um belo filé à Oswaldo Aranha. Ou aquele honesto filé de pescada com molhinho de manteiga e alcaparras, palmito e nostalgia. No bar Lagoa, tem varanda com vista para a Rodrigo de Freitas, mesas e cadeiras anos 50, garçons de cabeça branca, que trabalham lá desde sempre. Adoro lugares com alma. Por isso, na dúvida, no Rio ou em qualquer lugar, fico com os clássicos. Aliás, você tem algum para indicar?
Com o calorão dos últimos tempos, peguei uma mania –ou vício? Ceviche com vinho branco no final da tarde. Continuo em Paraty, então fica fácil: dou um pulo na peixaria, compro dois filés frescos de linguado. No mercado, um ramo de coentro, cebola roxa e um vinho branco bom e barato. Descobri dois chilenos ótimos, o Indomita e o Les Cipres. Se puder com champanhe, aproveite. Meu saldo bancário anda mais para chardonnay chileno. A receita é das coisas simples e impagáveis da vida: corte os filés de linguado (pode ser pescada também) em tirinhas. Numa tigela não muito funda, esprema dois limões e uma laranja (para quebrar um pouco o limão). Aqui não tem limão siciliano, mas é o ideal. Coloque as tirinhas de peixe para marinar, enquanto pica meia cebola roxa em lascas finíssimas e algumas rodelas de pimenta dedo-de-moça (sem sementes) pra dar o toque vermelho. O que importa é que o peixe cru fique mergulhado no suco das frutas. Sal a gosto. E coentro picadinho por cima, para finalizar. Deixe uns dez minutinhos na geladeira, enquanto o vinho fica geladaço no congelador. Depois, basta brindar o fim de tarde, se puder, em boa companhia… Ou apenas saboreando o momento. E você, o que tem feito para aliviar as tardes de calor?
Estou a 20 dias dos 40 anos. No mínimo estranho. A sensação é de que vou atravessar uma fronteira, sem volta. Todo mundo diz que agora é que fica bom. Sei. De qq forma, decidi há dez dias criar uma lista de 30 coisas para fazer antes dos 40. Nada muito complicado. Já nadei na piscina de noite e tomei banho de chuva, coisas que não fazia há milênios. O problema é que metade das coisas que pensei incluem comidas e bebidas. Ou seja, os 40 anos engordam mesmo! No Facebook, pintaram várias sugestões. Uma amiga sugeriu aprender a dizer”Gracias a la vida” em 30 línguas. Alguém pode me ajudar com o chinês e o russo, plis? Também aceito novas sugestões… Ah, esse vídeo da Rita Lee é porque me peguei cantando ”Saúde”, hit dos anos 80, e como a letra fez sentido, agora! Me cansei de lero-lero, dá licença…
Apesar do sol a pino, acordei de mau humor. Pensamento nublado em contraste com o céu azul. Daí que fui dar uma volta com minha filha, entramos numa loja de brinquedos, dessas cheias de bugigangas, e ela me veio com um saco de risadas. Incrível! Imediatamente nós duas estávamos gargalhando. O brinquedo é a coisa mais boba do mundo: um saquinho de pano, com um nariz amarelo de palhaço, que você aperta e faz o riso disparar (o que acabei comprando é igual a esse aí da foto). Mas é mágico. Agora está pendurado no espellhinho do meu carro. Por R$ 9,90. Ótimo para levar na bolsa também. Ou deixar no criado-mudo e apertar logo cedo. Bateu aquela nuvenzinha cinza? Tenha um saquinho de risadas sempre perto de você. Alguma outra receita instantânea contra o mau-humor?
Uma amiga querida me mandou esse vídeo hoje cedo e adorei –a idéia e a teoria. Divirta-se!
Há combinações inusitadas que parecem que não vão dar em nada, em nada, e de repente vem uma chita bonita, mais umas almofadas composé, uma planta em local estratégico e a parede fica uma uva! Combinação estranha? Qual é a sua?
Lá em casa somos três. Com R: Raquel, Rute e Rosane. A Raquel, minha irmã mais velha, é uma fada que aparece do nada nos momentos mais complicados e com sua varinha de condão resolve metade da minha vida. Tudo a longuíssimas distâncias, já que ela mora fora do Brasil e viaja o mundo. Mesmo assim, consegue estar sempre presente. A Rute aparece pouco (e eu também!), não nos vemos pessoalmente há mais de dois anos, embora as cidades em que vivemos não fiquem tão distantes. Mas é certo que em pensamento e coração estamos sempre ligadas. Seja nos telefonemas bissextos, e-mails e presentinhos que ela manda para minha filha. Hoje, foi a Raquel quem lembrou a mim, com cópia para a Rute, do “Dia das irmãs”, com essa foto deliciosa e algumas frases recheadas de palavras boas. Morando sozinho, ter irmãs/irmãos legais faze toda a diferença. Sem esquecer das amigas, as irmãs que a gente escolhe. Tenho várias amigas-fadas também, só posso agradecer. Tratei de reencaminhar o poema a elas, e deixo aqui um trechinho:
A vida é muito curta para acordar com arrependimentos
Ame as pessoas que te tratam bem
Ame, também, aqueles que não tratam tão bem, só porque você pode
Acredite que tudo acontece por uma razão
Se tiver uma segunda chance, agarre com as duas mãos
Se isso mudar sua vida, deixe acontecer
Beije devagar
Perdoe rápido
Ninguém jamais disse que a vida seria fácil
Mas a promessa é que vale a pena
“Eu sou tão forte quanto o chocolate que como,
o xampu que uso e as amigas que tenho.”
Não sei se por causa da chuva impertinente das últimas semanas, do friozinho, das tantas mudanças recentes na minha vida, ou por pura carência, ando numa fase baunilha. Chá de baunilha, creme de baunilha, vodka com baunilha… Baunilha tem gosto de colo de mãe. De casa de vó. De bolo bom. O chá da marca Casino, que vende no Pão de Açúcar, é um dos meus preferidos, e tem uma embalagem amarelinha, coisa mais linda, ilustrada com a flor da baunilha –prima doce da orquídea. Na esquina da minha casa de Paraty (para quem não sabe, moro e vivo dividida entre Paraty e São Paulo), tem um pãozinho de côco criminosamente recheado e lambuzado de creme de baunilha, com o nome mais perfeito impossível: lua-de-mel. Já experimentou pingar uma gota de essência de baunilha no cafezinho? Tudo muda!
Gosto também da Absolut Vanilla geladinha, numa taça de martini. Tem ainda uma caipivodka que parece dos deuses: morango, um toque de pimenta dedo de moça, e vodka vanilla. E não é que, procurando uma imagem para ilustrar esse post, achei até um papel higiênico aromatizado, “sabor” baunilha?
E a sua receitinha de baunilha, qual é?
Taí um acessório que promete confissões divertidas numa reunião entre amigos. Uma azeitona aqui, um queijinho ali, e o paliteiro-vudu (Utilplast, R$ 68) tem tudo para virar o centro das atenções…
Vai um vuduzinho aí? Para quem?



