Uma das piores características de um restaurante (e das pessoas também…), para mim, é a pretensão. “A arrogância é a coroa sem o reino”, li dia desses no divertido e instrutivo Facebook. Perfeita tradução. Nada me deixa mais irritada do que aquele menu escalafobético, quando resulta em um prato-conceito-sem-gosto, finalizando com uma conta salgadíssima, sem razão de ser. Defeito que o L’aperô, na Vila Madalena (Mourato Coelho, 1343), definitivamente não tem. O pequeno bistrô consegue ter ambiente aconchegante, preço tão atraente quanto a comida, atendimento e gente em volta, na medida certa. O menu, colado em garrafas vazias, dá o clima informal logo na chegada, assim como a carta de vinhos, com rótulos ótimos e acessíveis. Foi amor à primeira vista. Sempre que posso, que quero um lugar tranqüilo para jantar e conversar com as amigas, é para lá que eu vou. As saladas, em especial, têm uma base verde, com batatas crocantes ao alho, e você escolhe os extras: mignon, salmão, brie… Uma combinação mais gostosa do que a outra. L’aperô, em francês, quer dizer aperitivo… Mas não deixe de provar, na sobremesa, o crème brulée deles. Na última vez, eu e minha amiga pedimos duas colheres. Engordamos, felizes, algumas gramas a mais. E saímos sorrindo…
Hoje eu tô a mil. Então vou postar um texto roubadíssimo, sem culpa nenhuma, do blog da minha querida amiga e bruxa curitibana Zoe de Camaris. A coisa mais linda que li sobre a paixão, ultimamente. Para os apaixonados –ou não–fica a inspiração para o fim de semana…
COMO ME SINTO QUANDO ME APAIXONO
Rodrigo Garcia Lopes
De cara, me vem a frase de Rimbaud: na paixão, “eu é um outro”. Ou penso no que costuma dizer um amigo: o fim da paixão coincide com a descoberta de que “um é pouco, dois é muito”. A paixão, antes, era uma promessa de felicidade. Hoje, desconfio que antes eu não me sentia: as coisas é que começavam a sentir, a sofrerem em mim. A memória de um rosto ou de uma voz é o que me deixava sentindo, sentindo. Sobretudo a memória de uma presença, ou aquilo que os antigos chamavam de musa. Pois só uma musa é capaz de despertar essa música em nós, essa irmã da paixão chamada poesia, e que nos leva a escrever coisas “sem sentido” como: “Imprimo em seus lábios lírios & jasmins / primícias de cetim em toques de neve / mixo a ti e a mim nesses senfins / gravo na boca o cheiro bom do cravo. / Nenhuma nóia a nos tocar se atreve. // Ligado, digito os terminais dos teus sentidos / Regulo o foco do deleite, chupo teus bits & bytes, / Quando a aurora goza um sono rosa, Danaê, acredite: / com sentidos assim, quem precisa de inimigos? […]. Sim, a paixão é uma mulher de olhos invisíveis.
Dizer que a paixão implica em perda da razão não parece correto. Talvez seja mais apropriado dizer que a paixão carrega uma outra razão. A paixão, para mim, é como a leitura de um poema. Ou nos arrebata ou não é poesia. Nem paixão. A paixão é como uma palavra, num poema, uma palavra que busca uma rima. Quando duas palavras se beijam, nasce a poesia. Para mim, a paixão tem a ver com aquela “realidade ficcional” na qual estamos imersos quando lemos um romance: uma suspensão temporária do descrédito do mundo e do outro. Mas, antes que acabe, “posto que é chama”, pintam os sintomas: insônia (pensa-se naquela pessoa), suores e tremores nas mãos (pensa-se naquela pessoa), enfim, dispara-se um mecanismo mental obsessivo (pensa-se naquela pessoa). A paixão é patética (palavra-irmã de paixão). Pateta é a pessoa apaixonada. Um marmanjo passa a se comportar como um adolescente. Não há como escapar.
A paixão, como a poesia, não tem muito sentido num mundo regido cada vez mais por valores como Mercado e Sucesso. Pois a paixão não é um valor: ela é um bem, um talento, uma espécie de reserva ecológica da sensibilidade. Em nossos dias, a paixão virou artigo de luxo. A arte de padecer por um amor está se tornando tão exótica quanto a poesia, uma arte mais e mais restrita a iniciados, como o foram a falconaria, a numismática, a filatelia. Pois para o que serve esse negócio que nos acossa, nos deixa em estado de transe, de sítio, de alerta, de poesia? Nesses nossos dias velozes e superficiais, ninguém parece ter mais tempo para o tempo que a paixão exige. O mundo deveria se adaptar à paixão, e não o contrário.
Apesar de já termos visto e vivido o filme da paixão, o fascínio que o outro pode exercer em nós nos faz cair, como patos, nessa lagoa que os gregos chamavam de… pathós: sofrimento. Parece que se a paixão não carrega este componente de dor, não é paixão. Lembro, em cenas que hoje fazem parte definitiva de minhas amnésias afetivas, que a ausência da pessoa pela qual estava apaixonado provocava em mim os mais estranhos pensamentos. Hoje penso que essa projeção é a de nossa própria imagem. Como tentar agarrar o próprio reflexo num espelho, como no mito de Narciso. E tem outro problema: a paixão sonha eliminar a solidão, o que é uma impossibilidade. E é bom mesmo que “seja eterno enquanto dure”: nossas expectativas em relação à pessoa-objeto de nossa paixão são quase sempre inatingíveis. Pois mesmo que apaixonar-se seja uma forma de “dor elegante”, como diria Leminski, implica uma situação de estresse emocional e afetivo que nenhum ser humano pode suportar por longos períodos, sob pena de enlouquecer, e aí não seria mais paixão. Pois a paixão é um pensamento são num mundo insano. Quanto dura o filme da paixão? As personagens mudam, a paixão, não. Para mim, a paixão é como um daqueles paraísos perdidos: Mu, Atlântida, Agartha, Shambala, praia de Dido. Vê, já estou apaixonado e falando coisas sem sentido.
Rodrigo Garcia Lopes é escritor, poeta, jornalista, tradutor (Sylvia Plath, Rimbaud, Whitman, Laura Riding) e compositor, autor do CD de música e poesia Polivox, e dos livros de poemas Solarium, Visibilia, Polivox, Nômada. É um dos editores da revista Coyote e autor do blog http://www.estudiorealidade.blogspot.com/
Fiquei superfeliz que o blog Miojo foi indicado na revista “Bons Fluidos” de fevereiro, ao lado do Panelinha, da Rita Lobo, como um lugar onde se encontram boas receitas de “porção para um”. Embora eu adore uma conversa na cozinha –e sobre cozinha–costumo divagar aqui sobre os mais diversos assuntos. Hoje, então, é comida. Comida de quem mora sozinho: ovo. O que seria daquela madrugada solitária sem aquele ovo também solitário (ou solidário?) na geladeira? Ultimamente, ando fritando logo dois. Têm de ser inteiros, lado a lado. Imagens duplas me trazem conforto. Daí eu coloco muita mostarda Dijon por cima, e queijo parmesão a gosto. Isso com duas torradas é o paraíso. Melhor ainda, para curar carência, só essa forma que deixa seu ovo em formato de coração. Parece que dá para comprar clicando aqui. Para comer a um, ou a dois, é sensacional! Ah, o dia está nervoso? Melhor preparar huevos revueltos. Adoro essa expressão em espanhol. “Ovos revoltados” são a perfeita tradução para os ovos mexidos. E os seus huevitos, como você prepara?
Tem coisa mais pop do que uma fitinha de “São Google”, que nem a do Bonfim? Essas y outras cositas más eu encontrei na Loja do Bispo, o laboratório da artista plástica Pinky Wainer. É dela a sacada da fitinha. Era dia de Iemanjá, eu já tinha amarrado uma do Bonfim no pulso, e agora tenho duas. São Google, afinal, abre todos os caminhos! Mas a fitinha é só pra puxar conversa. Onde mais encontrar uma almofadinha bordada com a palavra “Sorry”? Ou um abajour em forma de cogumelo? Ou uma estatueta do Pequeno Príncipe na linha Branca de Neve de jardim?
De repente, eu me senti numa lojinha daquelas de Brighton ou Londres, tipo Nothing Hill, cheia de coisinhas inusitadas que fazem a gente repetir: Olha, olha! Além da loja, a Pinky tem também a Editora do Bispo, com títulos fora dos catálogos óbvios, como o mini best-seller do Xico Sá, “Catecismo, Devoções, Intimidades e Pornografias”, ou “Por que se mete, porra?”, do Paulo César Pereio. Verbo é o que não falta também nas plaquinhas e camisetas com frases espirituosas. Fiquei entre “Me gustan los chicos atrevidos” e “I am art”. Saí com a segunda. Tô metida. Achei também uma gravura de sereia para minha coleção. Não é fácil encontrar sereias! Isso sem falar nas coisas grandes, belas e caras. Panos ricamente bordados, pôsters, livros de arte, que naquela tarde, pena, não eram para o meu bico. A não ser que Iemanjá+Google me abram uns caminhos… Nas plaquetas de metal (de pendurar na parede), tinha uma assim: ”Morar só é… liberdade”. Lembrei do blog. Vai dar uma banda nos jardins? Passa lá e depois me conta.
Sei lá, agora ando numa fase Sting. Queria postar “La belle dame sans regrets”, a minha preferida dele, mas as versões do youtube para essa canção são muito bregas. Pena. A letra é linda, fala de “uma mulher sem arrependimentos”. Será possível?! Na procura, dei com “Shape of my heart”. Pra inspirar o começo da semana…
Ontem, domingo, foi um dia mágico. 31 de janeiro. Último dia de um mês intenso. Passei a tarde em alto mar. De repente me dei conta que há muito tempo não via um pôr do sol. Daqueles clássicos, em tons de vermelho e rosa. O dia estava lindo e achei que ia acontecer. Fim de tarde e nada. As montanhas da baía de Paraty estenderam seu manto negro, e o sol se foi discretamente, deixando um leve rastro rosé. Lindo também. Só que eu havia me esquecido que era noite de lua cheia. E o meu desejo se realizou ao contrário. Escureceu. De repente uma bola de fogo despontou atrás das nuvens noturnas. O mar estava calmo e morno. Mergulhei. A cada movimento, meu corpo era envolvido por plânctons. Vestida de mar, e revestida por milhares de pontinhos brilhantes, eu me senti uma sereia. A lua gigante, ora se escondia, ora subia mais. Até brilhar inteira, emprestando seu reflexo prateado, iluminando o mar, o barco, o vulto amado das pessoas que dividiam comigo aquele momento único. Eu só queria um por do sol, e ganhei um céu estrelado e uma lua inteira, nascendo da maneira mais fantástica. Lembrei de algo que li durante a semana: “Se a vida não dá o que você quer, é porque você ainda não merece, ou não precisa daquilo que pediu”. Ou existem outras supresas inesperadas, que você jamais imaginou… Assim terminou meu janeiro. Hoje acordei renovada, e a primeira música que ouvi foi “Anos Dourados”, na voz da Gal. Ela fala em “insanos dezembros”. Eu mudaria para “insanos janeiros”. O meu foi de muita chuva, muito sol, muita ansiedade, muito encanto e desencanto, muito tudo. Um janeiro dourado. Enfim, fevereiro. Com seus dias mais curtos. Amanhã é dia de Iemanjá. Que se abram os caminhos… E o seu janeiro, valeu a pena?
Sexta à noite. Quatro amigas. Uma garrafa de vodka. Um bar dedicado aos martinis. Meu drink preferido. Chegamos animadas ao Subastor, o “bar-sensaçao” (como definia a revista), recém-inaugurado no porão chic do Astor, na Vila Madalena. “Está lotado, não adianta nem descer”, avisou o porteiro, na chegada. Mas a hostess, escolada, claro, não barra mulheres bonitas (modéstia totalmente à parte). Balcão de mármore branco, estofados vermelhos, cortinas de veludo. Espera no balcão. Um garçom para chamar de nosso, logo “vende” a garrafa de vodka. Se um martini custa R$ 31 (uau!), e a garrafa R$ 200, vamos de garrafa de vodka importada nada famosa. Nem lembro o nome. O importante, no contexto, é que ela renderia vários martinis.
Maçã verde com pimenta, lichia, morango, tudo em taças gigantes. A vida é doce no Subastor. Os drinks, diabolicamente preparados, parecem inofensivos, nas taças enfeitadas com frutas. Uma amiga queridíssima (que não está podendo beber) aparece para animar ainda mais a noite, e até o suquinho de melancia dela surge na taça maravilhosa. Um garçom chamado Djavan dá o savoir fair. O lugar, aos poucos, soa meio “mauricinho”, mas tudo bem. A música é boa. As pessoas são bonitas e o papo está ótimo. Três amigas resolvem que uma garrafa de vodka é pouco e a coisa começa a desandar. Muitas idas ao toalette. O mundo roda. As duas mais velhas –eu incluída –são as lúcidas do pedaço. Ter 40 anos de repente parece uma vantagem. Mas o que agrava a situação é que as duas mais novas não estão acostumadas a beber vodka. Pagamos a conta astronômica. Há uma meia-garrafa da tal vodka, agora com o nosso nome, na prateleira do Subastor. Prometemos, à luz do dia seguinte, que voltaremos para matar os martinis que sobraram, mas só como aperitivo, antes de um jantarzinho. Sem dar detalhe. Resumo da ópera: os drinks do Subastor são perigosos, como tudo o que é gostoso. Nada que uma boa dose de água-de-coco não cure no dia seguinte. Nada como ter amigas divertidas. Amigas que bebem unidas permanecem unidas. E o seu último pilequinho, foi bom?
Feliz ano novo! Depois um réveillon divertidíssimo, mas literalmente com o pé na lama –muita chuva em Paraty, meu carro alagou e voltei para casa quase a nado –o sol brilha há uma semana e a vida parece boa. A minha anda embalada por Diana Krall. Tô tirando umas músicas dela ao piano e de repente me apaixonei por “Boulevard of broken dreams”, de Joe Armstrong. Sabe aquelas canções que você ouve mil vezes mas nunca realmente presta atenção? Eu ouvi “com outros olhos”, ou talvez com o coração. A letra é linda e tem a ver o assunto desse blog. Alguém caminhando só, por “uma rua de sonhos partidos”, mas talvez não tão só assim. Ou só, até que outro alguém especial o encontre… A versão é de uma Diana Krall 1996, maquiadérrima, no Festival de Montreal, impecável como sempre. E a trilha sonora do seu começo de 2010, qual é?
Você vive se degladiando com aquele rolinho de filme de PVC, sem conseguir tirar o plástico inteiro? Seus problemas acabaram. A dica mágica veio de uma amiga. Eu, feito louca, descabelada, procurando a ponta do plastiquinho, que sempre rasga todo, para tentar cobrir uma travessa de arroz. Ela: “Guarde o rolinho na geladeira que não acontece mais isso.” Guardei. Nem acreditei. No dia seguinte, puxei a ponta e o plástico saiu inteirinho! O filme resfriado solta fácil. Agora eu conto pra todo mundo, e todo mundo me agradece. E você, tem alguma dica doméstica que “mudou a sua vida”?
Um amigo foi para Cuiabá no feriado da Consciência Negra. Voltou contando maravilhas. Como Cuiabá cresceu! Tem bares e restaurantes incríveis! Ãhn? Cuiabá?! Estou bastante desatualizada sobre a cidade. Entre as passagens exóticas da minha biografia, há o detalhe de eu ter passado parte da infância e adolescência na capital do Mato Grosso. Aprendi a nadar no rio Coxipó. Aos domingos, a gente fazia pique-nique nas cachoeiras, a caminho da Chapada dos Guimarães. Era lindo. Tenho um carinho especial por Cuiabá, embora jamais tenha voltado para lá, desde os 15 anos. Na época, não havia nem um shopping center. Agora são cinco megashoppings, segundo meu amigo. Ele me falou especialmente de um restaurante chamado Getúlio, e do Bar do Azeitona. A muvuca, parece, acontece toda em volta de uma praça point da cidade, a Praça Popular. O Getúlio (na foto acima) é desses lugares multi: bar, chopperia, restaurante, balada etc etc. Ele me contou também do banheiro, que é superengraçado. Diz que no feminino tem um pôster gigante de um homem nu de costas. No masculino, há três fotos de mulheres, em frente ao lugar de fazer xixi. Na primeira, uma moça uma mira exatamente “lá”, abaixando os óculos para ver melhor. A segunda aparece com uma fita métrica. A terceira faz aquele sinal com o indicador e o dedão, como se tivesse medido o material, dizendo: “que pequenininho!”. Cuiabá. Conhece alguém que vai pra lá? Eu fiquei a fim de voltar.
O Rio de Janeiro continua lindo. Andei por lá nas últimas semanas. No calçadão de Ipanema/Leblon, a 40 graus, me sentindo meio Garota de Ipanema, meio Helena de Manoel Carlos. Tenho a fantasia de morar no Rio. Não sei se é ilusão, o fato é que é o Leblon é bom. A Lagoa é linda. Ipanema é incrível. A Barra é bárbara. A Gávea parece genial. A favela existe, o bem e o mal coexistem. O resto é mar. E eu fui bem feliz em três dias na cidade cheia de encantos mil. Vou começar pelos programas clássicos, já que minha queridíssima amiga carioca Valéria, com quem sempre dou umas voltas por lá, adora um boteco tradicional. Foi ela quem me apresentou o Jobi, na Ataulfo de Paiva, uma espécie de filial do Filial (o meu boteco preferido em São Paulo). Choppe no ponto. Muvuca. Garçons de verdade, de gravata, equilibrando bandejas de bolinhos de boteco, carnes-secas-aceboladas, tudo muito frito. Fazer o quê? Quem está no Rio é para se jogar. Da última vez, jantamos deliciosamente no Bar Lagoa, a opção perfeita para aquele dia em que você não quer saber de comida fusion nenhuma, nem molhinho com redução de nada, nem lugarzinho da moda. Tudo o que você quer é um belo filé à Oswaldo Aranha. Ou aquele honesto filé de pescada com molhinho de manteiga e alcaparras, palmito e nostalgia. No bar Lagoa, tem varanda com vista para a Rodrigo de Freitas, mesas e cadeiras anos 50, garçons de cabeça branca, que trabalham lá desde sempre. Adoro lugares com alma. Por isso, na dúvida, no Rio ou em qualquer lugar, fico com os clássicos. Aliás, você tem algum para indicar?
Com o calorão dos últimos tempos, peguei uma mania –ou vício? Ceviche com vinho branco no final da tarde. Continuo em Paraty, então fica fácil: dou um pulo na peixaria, compro dois filés frescos de linguado. No mercado, um ramo de coentro, cebola roxa e um vinho branco bom e barato. Descobri dois chilenos ótimos, o Indomita e o Les Cipres. Se puder com champanhe, aproveite. Meu saldo bancário anda mais para chardonnay chileno. A receita é das coisas simples e impagáveis da vida: corte os filés de linguado (pode ser pescada também) em tirinhas. Numa tigela não muito funda, esprema dois limões e uma laranja (para quebrar um pouco o limão). Aqui não tem limão siciliano, mas é o ideal. Coloque as tirinhas de peixe para marinar, enquanto pica meia cebola roxa em lascas finíssimas e algumas rodelas de pimenta dedo-de-moça (sem sementes) pra dar o toque vermelho. O que importa é que o peixe cru fique mergulhado no suco das frutas. Sal a gosto. E coentro picadinho por cima, para finalizar. Deixe uns dez minutinhos na geladeira, enquanto o vinho fica geladaço no congelador. Depois, basta brindar o fim de tarde, se puder, em boa companhia… Ou apenas saboreando o momento. E você, o que tem feito para aliviar as tardes de calor?
Estou a 20 dias dos 40 anos. No mínimo estranho. A sensação é de que vou atravessar uma fronteira, sem volta. Todo mundo diz que agora é que fica bom. Sei. De qq forma, decidi há dez dias criar uma lista de 30 coisas para fazer antes dos 40. Nada muito complicado. Já nadei na piscina de noite e tomei banho de chuva, coisas que não fazia há milênios. O problema é que metade das coisas que pensei incluem comidas e bebidas. Ou seja, os 40 anos engordam mesmo! No Facebook, pintaram várias sugestões. Uma amiga sugeriu aprender a dizer”Gracias a la vida” em 30 línguas. Alguém pode me ajudar com o chinês e o russo, plis? Também aceito novas sugestões… Ah, esse vídeo da Rita Lee é porque me peguei cantando ”Saúde”, hit dos anos 80, e como a letra fez sentido, agora! Me cansei de lero-lero, dá licença…
Apesar do sol a pino, acordei de mau humor. Pensamento nublado em contraste com o céu azul. Daí que fui dar uma volta com minha filha, entramos numa loja de brinquedos, dessas cheias de bugigangas, e ela me veio com um saco de risadas. Incrível! Imediatamente nós duas estávamos gargalhando. O brinquedo é a coisa mais boba do mundo: um saquinho de pano, com um nariz amarelo de palhaço, que você aperta e faz o riso disparar (o que acabei comprando é igual a esse aí da foto). Mas é mágico. Agora está pendurado no espellhinho do meu carro. Por R$ 9,90. Ótimo para levar na bolsa também. Ou deixar no criado-mudo e apertar logo cedo. Bateu aquela nuvenzinha cinza? Tenha um saquinho de risadas sempre perto de você. Alguma outra receita instantânea contra o mau-humor?



